E para nós, o que sobrará ao final?

Eu não sei, é claro, ninguém sabe, é uma pergunta sem resposta. A previsibilidade do futuro talvez seja cada vez mais curta, ironicamente em uma proporção inversa a velocidade em que o conhecimento humano e, especialmente, o não humano, avança. Podemos tentar ter uma vaga ideia se formos capazes de, considerando trajetórias do passado até aqui, imaginarmos com alguma lógica para onde estamos indo, ou o que, por fim, de bom ou de ruim, restará para para nós, Estranhos sapiens.

O tempo não tem realmente um fim, ou começo, então vamos apenas pensar no fim de um grande ciclo da nossa espécie, que talvez se transforme em algo novo, ou talvez seja extinta, como tantas outra milhares de espécies que por esse planeta andaram, nadaram ou voaram. Não sairemos iguais, e talvez essa seja a única certeza que possamos ter.

Em alguns poucos milhares de anos, até onde sabemos, algo entre 200.000 e 300.000 anos, dominamos completamente o planeta; ocupamos quase todos os espaços, subjugamos todas as outras espécies vivas, eliminamos (ou nos misturamos com) os nossos concorrentes hominídeos, inventamos uma infinidade de ferramentas e objetos que tornaram nossas vidas imensamente mais fáceis e eficientes. Nos organizamos em grupos cada vez maiores, mais poderosos, mais ávidos por territórios e domínios. Criamos, do nada, conceitos como riqueza, fronteiras, religião e leis. A vida humana se tornou mais complexa e longa. A ciência nos dá a cada dia mais consciência de como a nossa própria existência funciona.

E, contudo, estamos chegando na beira do abismo. E não se trata de chegar à beira de qualquer abismo, de novo. Dessa vez o abismo pode não significar somente o fim para uma tribo, um povo ou um império, podemos estar caminhando coletivamente para um abismo muito maior, que colocará de fato em risco, não só a nossa jovem espécie, e sim toda a vida no planeta, ao menos como a conhecemos hoje.

Escrevo com o propósito de compartilhar pensamentos e conhecimentos. Escrever, e ler – com certeza entre as nossas mais extraordinárias invenções – nos possibilitou transmitir e receber mensagens com níveis de sofisticação cada vez maiores sobre os mais variados temas possíveis e imaginários. Todos os dias surgem sinais, notícias grandes ou pequenas, que nos dão pistas sobre os rumos que seguimos. Cabe aos curiosos, diante dessa infinidade de pequeninas peças, contribuir para tentar montar, ainda que mínimas partes, mais um pouco do imenso e indecifrável quebra-cabeças da nossa história.